Se eu tivesse vergonha na cara,
tinha estudado só um pouquinho mais na época da escola e, sim, teria passado em
medicina.
Mas, aos dezesseis, em plena
crise depressiva, minha lógica foi a seguinte: Gosto de ler, gosto de escrever
e, principalmente, gosto muito de discutir e tenho necessidade de ganhar a
argumentação.
Logo, vou fazer direito.
No começo, amando, no meio
desconfiando, no fim nem querendo pensar onde me meti. Até porque, no meio do
processo, a empresa em que paizão trabalhava fechou, ele foi mandado embora,
sofreu aquele processo de ter especialização demais para mercado de menos e
família para criar. COMOÉQUE, nessa situação, você pensa em largar algo, sendo
que nem sabe o que realmente gostaria de fazer??
E como a deprê/preguiça e,
principalmente, falta de recursos (mas nesse tempo, paizão já estava bem, só
que eu tenho vergonha na cara, tá?) não me permitiam dizer: me banca até passar
em algum concurso, resolvi trabalhar.
Agora, aquela pessoa inteligente
ficou perdida em alguma esquina. A que sobrou tenta ir para um cursinho e
reaprender a estudar. No momento, estou falhando miseravelmente. Fico somente
tentando não dormir depois das 9 horas, durante a aula (trabalho em tempo
integral e vou para a aula a noite, viu). Aí, difícil passar em alguma coisa
mais decente e tentar pensar, depois de estar um pouco mais tranquila na vida,
no que eu realmente gostaria de fazer.
Daqui a 15 anos passo em alguma
coisa, nesse ritmo. Talvez, até lá, tenha decidido o que eu realmente gosto na
vida.
Se eu tivesse me esforçado só um
pouquinho, hoje seria uma dermatologista que cobra mil pilas por aplicação de
botox, uma neurologista viciada em trabalho ou uma médica loucona que está em
algum lugar trabalhando no Médicos sem Fronteira (era meu sonho, sério).
Bem feito para mim, né, vida?
Nenhum comentário:
Postar um comentário