quinta-feira, 25 de abril de 2013

Bem feito é pouco



Se eu tivesse vergonha na cara, tinha estudado só um pouquinho mais na época da escola e, sim, teria passado em medicina.

Mas, aos dezesseis, em plena crise depressiva, minha lógica foi a seguinte: Gosto de ler, gosto de escrever e, principalmente, gosto muito de discutir e tenho necessidade de ganhar a argumentação.

Logo, vou fazer direito.

No começo, amando, no meio desconfiando, no fim nem querendo pensar onde me meti. Até porque, no meio do processo, a empresa em que paizão trabalhava fechou, ele foi mandado embora, sofreu aquele processo de ter especialização demais para mercado de menos e família para criar. COMOÉQUE, nessa situação, você pensa em largar algo, sendo que nem sabe o que realmente gostaria de fazer??

E como a deprê/preguiça e, principalmente, falta de recursos (mas nesse tempo, paizão já estava bem, só que eu tenho vergonha na cara, tá?) não me permitiam dizer: me banca até passar em algum concurso, resolvi trabalhar.

Agora, aquela pessoa inteligente ficou perdida em alguma esquina. A que sobrou tenta ir para um cursinho e reaprender a estudar. No momento, estou falhando miseravelmente. Fico somente tentando não dormir depois das 9 horas, durante a aula (trabalho em tempo integral e vou para a aula a noite, viu). Aí, difícil passar em alguma coisa mais decente e tentar pensar, depois de estar um pouco mais tranquila na vida, no que eu realmente gostaria de fazer.

Daqui a 15 anos passo em alguma coisa, nesse ritmo. Talvez, até lá, tenha decidido o que eu realmente gosto na vida.

Se eu tivesse me esforçado só um pouquinho, hoje seria uma dermatologista que cobra mil pilas por aplicação de botox, uma neurologista viciada em trabalho ou uma médica loucona que está em algum lugar trabalhando no Médicos sem Fronteira (era meu sonho, sério).

Bem feito para mim, né, vida?

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